Venda de veículos cai 40,5 % em junho, em relação ao mesmo mês do ano passado

 Venda de veículos cai 40,5 % em junho, em relação ao mesmo mês do ano passado

Segundo a Anfavea, no primeiro semestre houve uma retração de 38,2% nas vendas de veículos novos no país.


O licenciamento de veículos em junho apresentou ligeira melhora em relação a maio. Com 132,8 mil unidades, o volume ficou 113,6% acima do mês anterior. Mas, na comparação a junho do ano passado, houve queda de 40,5%.

A melhora em relação a maio refletiu uma parte de emplacamentos de veículos vendidos em maio e que não foram licenciados porque várias unidades do Detran estavam fechadas, segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, durante entrevista para divulgação dos resultados.

Como efeito direto da pandemia, no primeiro semestre houve uma retração de 38,2% nas vendas de veículos novos no país, num total de 808,8 mil unidades.

Em junho houve também uma queda no nível de estoques. A quantidade de veículos nas fábricas e concessionárias é suficiente para 36 dias de vendas. Em maio, equivalia a 45 dias.

PRODUÇÃO

Apesar de quase todas as fábricas de veículos terem retomado a atividade em junho, o ritmo de produção continua baixo. Foram produzidas no país, no mês passado, 98,7 mil unidades. Isso representou um avanço de 129% na comparação com maio, quando quase todas estavam paralisadas. Mas em relação a junho do ano passado, houve queda de 57,7%.

No semestre, a queda de produção provocada pela pandemia chegou a 50,5% na comparação com os seis primeiros meses de 2019, com 1,47 milhão de unidades.

Apoiador:

Moraes disse que a retração era esperada. Segundo ele, faltam apenas duas fábricas para que todo o setor retome a atividade. No entanto, o ritmo continuará lento porque a demanda, tanto do mercado interno como do externo permanecem fracas.

A Anfavea também divulgou uma nova projeção de produção este ano. A entidade estima agora 1,630 milhão de veículos. Isso representa uma queda de 45% em relação a 2019. A entidade começou o ano prevendo crescimento de 7,3%.

A entidade já havia, há um mês, divulgado nova previsão para o mercado interno, que aponta para uma queda de 40% em relação a 2019, com 1,675 milhão de veículos.

“São números difíceis de digerir”, disse Moraes. O dirigente afirmou que a entidade prevê dificuldades na retomada da atividade econômica brasileira nos próximos meses.

EMPREGO

Por conta da pandemia, a indústria automobilística já demitiu mais de mil trabalhadores. A maior parte refere-se ao recente corte de quase 400 na fábrica da Nissan em Resende (RJ).

Dados da Anfavea mostram que o setor, incluindo os fabricantes de máquinas agrícolas, fechou o semestre com 124 mil trabalhadores. Isso representa uma retração de 4% em relação ao efetivo de um ano atrás.

A maior parte das demissões foi nas montadoras de veículos, que reduziram o número de postos de trabalho de 106,4 mil para 105,5 mil pessoas.

“O emprego está em risco”, disse Moraes.

Ele não comentou a intenção de as empresas demitirem mais. Mas lembrou que por volta de outubro terminam os acordos de redução de salários e de jornada fechados na maioria das empresas.

EXPORTAÇÕES

O volume de exportações de veículos recuou 52% em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, a retração chega a 46,2%, com 119,5 mil veículos.

As vendas externas das montadoras de veículos somaram US$ 396,7 milhões. Isso representa uma retração de 33,8% em relação ao mesmo mês do ano passado. No semestre, a receita com exportações somou US$ 2,135 bilhões, o que representa uma queda de 39,5% em relação aos primeiros seis meses de 2019, um período em que as vendas externas já estavam em queda por conta da crise na Argentina.

A Anfavea está na expectativa do acordo de intercâmbio comercial com a União Europeia. Segundo Moraes, os europeus estão na fase final de análise de documento. “Agora entrará a fase política; espero que esse importante acordo não seja dificultado por políticas protecionistas de alguns países”, destacou.

A Anfavea também revisou também a expectativa de exportação, que já era de queda no início do ano. A entidade espera que o setor exporte 200 mil veículos, o que representa uma retração de 53% em relação ao ano passado. A projeção de janeiro era de queda de 11%.

Por Valor Econômico

Via Instituto Aço Brasil

Editor MDR

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