Produtividade cai 1% no 1º tri já com impacto da pandemia, aponta Ibre

 Produtividade cai 1% no 1º tri já com impacto da pandemia, aponta Ibre

Última variação positiva do indicador foi registrada no quarto trimestre de 2018.

Com os impactos das medidas de isolamento social sobre a atividade econômica, a produtividade do trabalho recuou 1% no primeiro trimestre ante o mesmo período do ano passado, mostram cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), obtidos pelo Valor.

O resultado negativo prolonga e aprofunda a perda de produtividade no país. No quarto trimestre, o indicador havia recuado 0,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. A última variação positiva foi registrada no quarto trimestre de 2018, quando apresentou alta de 0,3%.

Para medir a produtividade, o Ibre/FGV cruza o Produto Interno Bruto (PIB) sem impostos (chamado de valor adicionado) com as horas trabalhadas. No primeiro trimestre, o valor adicionado recuou 0,2% frente a igual período do ano anterior. O crescimento das horas trabalhadas perdeu força, com alta 0,8% em relação ao primeiro trimestre de 2019.

“A desaceleração da atividade econômica e do mercado de trabalho está relacionada à pandemia, que tem elevado de forma extraordinária a incerteza sobre o desempenho da economia“, disse Silvia Matos, pesquisadora do Ibre/FGV e coautora do estudo, ao lado de Fernando Veloso e Paulo Peruchetti.

A desagregação do resultado mostra deterioração disseminada pelos setores. Na indústria, houve queda de 1,2% no primeiro trimestre, o pior resultado desde o quarto trimestre de 2015 (-3,3%). A piora foi puxada pela indústria de transformação (-2,5%), enquanto a construção teve leve alta de 0,2%.

A produtividade do setor de serviços, por sua vez, registrou queda de 1,4% nesses três primeiros meses do ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Foi a 24ª taxa trimestral negativa consecutiva do setor, segundo os cálculos do Ibre/FGV, o que corresponde a seis anos de redução ininterrupta.

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A piora em serviços foi liderada pela atividade de transportes, com queda de 4,5% no período. Em um subgrupo amplo chamado de “outros serviços” a situação também foi crítica, com perda de 4,4% na produtividade frente ao primeiro trimestre de 2019, o pior resultado para esse conjunto de serviços desde 2015.

“O grupo de ‘outros serviços’ inclui uma ampla gama de serviços prestados às famílias, como alimentação fora de casa, lazer, recreação. É uma atividade altamente empregadora, embora de baixa produtividade, e que foi bastante impactada pelas medidas de isolamento social”, explicou Silvia Matos.

A exceção foi, novamente, o agronegócio brasileiro. Com a previsão de uma safra agrícola recorde no campo neste ano, puxada pela maior produção de soja, a produtividade do agropecuária cresceu 2,9% no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2019. Foi o terceiro trimestre consecutivo de alta.

Segundo o Ibre/FGV, a tendência é que o total de horas trabalhadas caia no segundo trimestre deste ano, refletindo as medidas adotadas pelas empresas no período, como redução de jornada de trabalho, de suspensão de contratos de trabalho, as férias coletivas e as demissões de trabalhadores durante a pandemia.

Por outro lado, o Ibre/FGV projeta contração de 11% do PIB no segundo trimestre deste ano na comparação com igual período do ano passado. Não está claro ainda, contudo, se balanço entre redução de horas trabalhadas e do valor adicionado vai resultar em um saldo positivo ou negativo para a produtividade no segundo trimestre do ano.

“Pontualmente, um trimestre ou outro pode ter resultado positivo daqui para frente, mas os períodos de recessão, como vimos nos últimos anos, tendem a ser de forte perda da produtividade. E acredito que é a tendência para este ano”, acrescentou a pesquisadora do Ibre/FGV.

Dados disponibilizados no site “Observatório da Produtividade Regis Bonelli”, criado pelo Ibre/FGV, mostram que a produtividade recuou em todos os trimestres do ano passado. Isso ocorreu apesar da recuperação do PIB e da geração de empregos formais – que, de fato, ocorreram, apesar de toda a lentidão.

Para Silvia Matos, a produtividade não mostrou reação em 2091 por causa da lentidão da retomada dos investimentos, além do crescimento da informalidade do mercado de trabalho. A economia informal é menos produtiva que a formal, como mostrado estudos da FGV.

Para ela, o país precisa encontrar caminhos para não sair do atual ciclo ainda mais distante de outros países emergentes e desenvolvidos em termos de produtividade. Países da Ásia, como a própria China, aproveitam o momento para fazer novos investimentos em infraestrutura nova, como a tecnologia 5G.

“Temos questões antigas e novas trazidas pela pandemia. Precisamos retomar as reformas, buscar os investimentos e avançar, para não ficarmos ainda mais atrasados na fronteira tecnológica”, afirmou a pesquisadora, citando o setor de saneamento como um caminho para atrair investimentos.

Por Valor Econômico

Via Instituto Aço Brasil

Editor MDR

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