Otimismo marca dez previsões do IDC para 2021

 Otimismo marca dez previsões do IDC para 2021

Metade das empresas brasileiras quer gastar mais com TI em 2021. Aumento de produtividade e melhor experiência dos clientes estão entre os motivos.

Depois de um 2020 de expectativas frustradas por conta da pandemia, os investimentos em TI por parte das empresas devem voltar a crescer substancialmente em 2021. Cerca de metade dos executivos ouvidos pelo IDC no começo deste ano diz que pretende aumentar os gastos com tecnologia, principalmente em segurança, dados (Big Data, Analytics, IA), nuvem pública, modernização de aplicações de gestão e experiência do cliente.

Essas são algumas das predições do IDC reveladas nesta quinta-feira (4). Muito embora o número de líderes ouvidos pelos pesquisadores ainda seja baixa, já é possível detectar o otimismo, segundo Denis Arcieri, country manager da consultoria no Brasil.

“Uma das principais mudanças que a IDC vê de forma positiva nas corporações é que a tecnologia ganhou relevância muito maior”, disse. A maior parte delas (53%) busca com isso aumentar produtividade, seguida por reduzir custos (45%) e balancear a experiência do cliente entre digital e físico (33%).

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São dez as tendências identificadas e elencadas pelo time de analistas do IDC para 2021. Vamos a elas:

5G, finalmente

Com o leilão do 5G cada vez mais próximo – ou ao menos assim se espera – as previsões do IDC são relacionadas às vindouras oportunidades de negócio. E são muitas: a estimativa é de de US$ 2,7 bilhões em novos negócios envolvendo tecnologisa que serão impulsionadas pela nova geração de redes móveis, incluindo inteligência artificial (IA), realidade aumentada e virtual (AR/VR), internet das coisas (IoT), nuvem, segurança e robótica.

Isso se deve principalmente pelas características desse tipo de rede, incluindo alta velocidade, baixíssima latência e altíssima densidade de dispositivos – uma combinação perfeita para aplicações críticas corporativas, que podem inclusive ser segregadas em redes privadas. Mas para que isso seja possível será necessário uma relação mais intensa entre os atores desse ecossistema para alcançar objetivos dos negócios, diz Luciano Saboia, líder de pesquisa e consultoria em telecomunicações da empresa.

“A penetração do serviço móvel não é mais um desafio brasileiro. A ênfase aqui estamos dando nesse início será para o segmento B2B”, diz. “O segmento B2B será o puxador dessa fila.”

Nova conectividade

A pandemia expandiu a nossa necessidade de conectividade, mas para Saboia os investimentos feitos antes da crise estavam “no automático”. Agora que as empresas perceberam o quanto somos dependentes de conectividade, “fica claro que as arquiteturas legadas não vão ser suficientes. E a arquitetura de rede passa a ter princípios distribuídos.”

Princípios nativos da nuvem nas arquiteturas de rede se tornarão mais comuns para dar conta de um cenário em que o número de usuários, dispositivos e aplicativos não para de crescer. Assim a conectividade passa a ter importância estratégica.

O IDC prevê que, em 2021, mais de 70% das empresas ativarão modelos operacionais digitalmente, adotando mais automação, colaboração e compartilhamento de conteúdo.

Edge computing

Automatizar e otimizar processos nas pontas passa por modernizar as infraestruturas corporativas, mas com o aumento da demanda por processamento nas pontas o chamado edge computing tende a ganhar mais importância, diz Saboia. Isso significa mais oportunidades de crescimento para fabricantes de hardware, provedores de conectividade, de nuvem e de serviços relacionados.

“Edge está emergindo como tecnologia preferida para conduzir automação de processos em vários setores. Para o Brasil, estimamos um CAGR [crescimento anual médio] entre 2019 e 2023 de 16% relacionado a edge.

Esse cenário também amplia a necessidade de um ecossistema robusto, uma vez que é raro um único fornecedor atender a todos os requisitos de uma solução de borda, diz o especialista. “Lidar com a probabilidade de boa parte da infraestrutura não estar sob controle da corporação se tornara um desafio importante”, diz.

Cloud como chave das infras de TI

“Passamos a falar de ambientes híbridos e as empresas estão abraçando cloud ao invés de simplesmente mover [aplicações]”, disse Luciano Ramos, líder de TI corporativa do IDC. “Isso ficou evidente diante da pandemia. Mostrou para as empresas que a nuvem é um caminho rápido para ampliar capacidades de processamento e resiliência operacional da TI como um todo.”

Mais da metade das empresas ouvidas estão usando workloads críticos e de produção em ambientes de nuvem e integrando esses ambientes com outras capacidades já existentes. Cerca de 90% ainda usam data centers tradicionais “em casa” ou terceirizados, mas os dados indicam uma maioria já em nuvem.

Somados gastos de infraestrutura (IaaS) e plataforma (PaaS) em nuvem pública, o mercado brasileiro alcançará US$ 3 bilhões em 2021, crescimento de expressivos 46% em relação ano anterior. “Uma forte aceleração”, diz o analista.

Mais IA embarcada

Apesar de projetos corporativos de inteligência artificial ainda caminharem lentamente nas corporações brasileiras, a tecnologia está crescendo quando embarcada, ou seja, inserida em soluções prontas. Um quarto das corporações de grande porte já usa IA ou Machine Learning, diz Ramos.

A maioria (75%) diz que ainda usa algum tipo de supervisão humana para assegurar ou validar resultados trazidos pela IA. “Um degrau natural de um ciclo que chamamos de Machine Learning Life Cycle, em que elas aprendem a lidar com essas capacidades”, diz o analista.

Nas aplicações de segurança cibernética está um grande filão, na medida em que a IA é capaz de lidar com grandes volumes de dados e detectar comportamentos de ameaças, gerando alertas. Gastos com IA no Brasil chegarão a US$ 464 milhões em 2021 no Brasil, puxados por consultorias buscando resolver problemas de negócio e de TI.

Segurança a reboque da nuvem

Com a nuvem sendo mais usada e os colaboradores distribuídos geograficamente em home office, boa parte das organizações percebeu não estar preparada para lidar com as ameaças aos workloads na nuvem e os endpoints fora das redes corporativas. No entanto soluções realmente capazes de lidar com esse cenário estão em apenas 1/5 das empresas.

“Esse ambiente exige mais controle de acesso, e também recursos para fechar brechas de acesso e controle. Somado a esse contexto os temas de visibilidade e proteção de dados, tanto pelo incremento de ataques que temos visto como pela LGPD”, diz o especialista.

Apenas metade das empresas ouvidas pelo IDC se diz avançados para se adequarem a LGPD. E 2/3 diz que o principal desafio é mapear as informações, ou seja, “elas não têm ideia de onde estão surgindo, por onde passam e ou quem as consome”, diz.

Em 2021, os gastos com segurança (hardware e software) vão ultrapassar US$ 900 milhões de dólares no Brasil, 12,5% de crescimento. Soluções de segurança em nuvem vão crescer 29%, mais que o dobro das soluções tradicionais.

Gestão rumo à nuvem

Softwares de gestão empresarial – ERPs, CRMs e seus módulos – estão migrando rapidamente para a nuvem, diz o IDC. Há uma ampliação das ofertas disponíveis no mercado, seja por parte de players nacionais ou globais. “Isso é a necessidade de modernização dos negócios e de minimizar problemas de cooperação e manutenção de ambientes, ou de aplicações que já tem certo tempo”, diz Ramos.

Para ele o grande desafio é reduzir a prática local de preservação de investimento por longos prazos, o que na prática torna a modernização desses sistemas, às vezes, levar décadas. No entanto o movimento é acelerado: 43% dos executivos ouvidos pelo IDC querem levar sistemas de gestão para a nuvem nos próximos 24 meses.

Para 31%, a modalidade SaaS é a abordagem preferencial. Gastos com soluções de gestão crescerão 12,6% em 2021, chegando a US$ 3,4 bilhões, com SaaS representando 14% desse montante.

Impressão reinventada

Com a natural redução da demanda por impressão causada pela pandemia, os fabricantes e provedores de outsourcing vão precisar se reinventar, segundo o IDC. Isso significa ir além do hardware e agregar software e serviços de forma integrada. “O mercado vai crescer esse ano, sem dúvida, mas para alguns nichos não vai superar as quedas de 2020”, diz Reinaldo Sakis, líder de estudos sobre o consumidor da consultoria.

“Tem muitos processos evolutivos acontecendo, mas os fabricantes e canais em conjunto tem a possibilidade de transformar impressão que hoje é fim como meio de um processo. Se não formos bem sucedidos nessa evolução, cairemos no que o IDC globalmente está dizendo: boa parte das empresas deve reduzir seus parques de impressão nesse novo ambiente de trabalho”, resume o analista.

A previsão é que o mercado brasileiro de equipamentos gere US$ 637 milhões em 2021, 11% mais que em 2020, com US$ 580 milhões vindo de serviços de outsourcing.

Casas inteligentes em alta

A quarentena levou o mercado de smart home e devices a crescer muito em 2020, e ele “veio para ficar”, diz Sakis. Globalmente o mercado deve crescer 11% em média nos próximos 5 anos, mas no Brasil o terreno é ainda mais fértil: 30% em média.

Para o especialista, o que vai realmente atrair a preferência do consumidor não é uma lista enorme de recursos em cada dispositivo, mas a capacidade de se integrarem de forma fácil e rápida, sem muitas configurações.

No Brasil o mercado de equipamentos para automação doméstica deve ultrapassar US$ 291 milhões em 2021, com monitoramento e segurança (câmeras) e produtos elétricos (plugs, interruptores) liderando a preferência.

Notebooks e tablets voltam com força

O mercado de endpoints, principalmente tablets e notebooks), gerará US$ 4,7 bilhões no Brasil em 2021, um crescimento expressivo de 21% frente ao ano passado. Esse montante representa 7,3% de todo o investimento feito em TI no país.

Quarenta por cento do valor do mercado de notebooks virá do segmento corporativo – serão US$ 1,6 bilhão em produtos. Serão US$ 103 milhões em tablets, 18,6% vindo do B2B. Ambos são fortemente impulsionados pelo setor educacional, que na pandemia precisou investir na digitalização do acesso aos conteúdos pedagógicos.

“Se todoso s mercados acabaram crescendo [durante a pandemia], era consequencia natural que o de endpoints, principalmente o corporativo, também crescesse”, diz Sakis. Segundo o especialista, apesar do aumento dos preços e das dificuldades dos fabricantes na obtenção de insumos, os dipositivos são cada vez mais refinados – o que significa um maior ticket médio.

“O fluxo de produtos e componentes deve começar a melhor no segundo semestre. Ninguém acredita que no segundo trimestre vai estar tudo maravilhoso, mas telas e processadores devem começar a ter uma disponibilidade maior no meio do ano”, diz o analista.

Por Redação

Via itforum

Editor MDR

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