Ociosidade econômica deve dobrar e bater recorde no 2º tri, afirma FGV

 Ociosidade econômica deve dobrar e bater recorde no 2º tri, afirma FGV

PARA PESQUISADOR, CENÁRIO É DE PIORA PARA OS PRÓXIMOS MESES.

Com os impactos da pandemia a partir de março, a ociosidade da economia voltou a crescer no primeiro trimestre, iniciando uma reversão após leve melhora do fim do ano passado, e deve bater recorde no segundo trimestre, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) obtidos pelo Valor.

“Houve meio mês de pandemia em março e isso já provocou uma queda da produção de diversas atividades, elevando a ociosidade. Pelos dados de abril, sabemos que o pior está por vir”, diz Claudio Considera, pesquisador associado do Ibre/FGV e autor do estudo ao lado das também pesquisadoras Elisa Andrade e Juliana Trece.

O Produto Interno Bruto (PIB) recuou 1,5% no primeiro trimestre deste ano em relação aos três meses anteriores, conforme divulgado pelo IBGE no fim de maio. Foi a maior queda da atividade desde o segundo trimestre de 2015, no início do ciclo da recessão econômica anterior, com destaques negativos para a indústria e os serviços.

A partir desse resultado, os pesquisadores calcularam que o hiato do produto – diferença entre o resultado efetivo da economia e seu potencial estimado de crescimento – foi negativo em 4,7% no primeiro trimestre. Com esse número, o indicador voltou a apontar para uma tendência de aumento da ociosidade da economia.

No momento de maior ociosidade da economia, ocorrido no primeiro trimestre de 2017, o hiato chegou a ser negativo em 6,6%. Desde então, o indicador mostrava lenta melhora. No quarto trimestre de 2019, o hiato estava negativo em 4,2%, segundo o Ibre/FGV, que usa o método de função da produção, que considera a produtividade total dos fatores e o estoque de capital físico e humano.

Entre os componentes do PIB, a indústria mostrou o maior aumento de ociosidade no primeiro trimestre, com hiato negativo de 6,4%, em relação aos -6,1% do trimestre anterior. “Indústria já teve hiatos positivos em 2011 a 2013, mas depois disso vem crescendo sistematicamente abaixo do seu potencial”, explicou Considera.

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Na atividade de serviços, o hiato foi negativo em 3,9% no primeiro trimestre. Na última década, o crescimento potencial do setor foi maior do que seu crescimento efetivo, com maior contribuição do insumo capital.

Considera disse, porém, que o pior está por vir. Com projeções de retração do PIB na casa dos 10% para o segundo trimestre, na comparação com o período de janeiro a março, o hiato do produto deverá atingir nível recorde. “Provavelmente teremos um hiato do produto na casa dos dois dígitos, a depender do que acontecer com o PIB potencial.”

Considera acrescenta que os resultados contribuem para entender a inflação em níveis historicamente baixos no país neste início de ano. Em maio, o Índice Nacional de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,38%, a segunda maior queda dos preços desde 1980, início da série histórica.

“Essa ociosidade reflete-se também na perda de emprego. A taxa de desemprego projetada para este ano está bastante elevada. O total de desempregados pode encerrar o ano entre 17 milhões e 20 milhões de pessoas. Isso fora as pessoas que forem para a inatividade”, acrescenta o pesquisador.

Por Valor Econômico

Via Instituto Aço Brasil

Editor MDR

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