Migração para o trabalho remoto muda padrões de consumo e sustenta data centers no Brasil, diz estudo

 Migração para o trabalho remoto muda padrões de consumo e sustenta data centers no Brasil, diz estudo

E-commerce e home office foram os principais fatores que mantiveram os provedores de nuvem híbrida e privada.

A surpresa e a rapidez da demanda do trabalho remoto com o surto de Covid-19 mudou os padrões de consumo e sustentou data centers até o momento. Estudo inédito no Brasil aponta que os provedores de serviços em nuvem pública perceberam, com a pandemia, a importância de oferecer software e serviços para viabilizar a infraestrutura híbrida para as organizações. Estudo do ISG que avaliou o mercado de nuvem híbrida e privada no país durante a quarentena foi divulgado nesta semana.

Esse é o primeiro estudo que avalia o mercado de nuvem híbrida e privada no País durante a pandemia. O relatório, que teve início em abril, realizado e representado pela TGT Consult no Brasil, mostra que no começo da pandemia existia uma expectativa de diminuição no volume de negócios e redução de custos.

“Houve uma redução em algumas demandas no setor, mas, por outro lado, o comércio eletrônico registrou aumento e o trabalho remoto demandou mais da infraestrutura. O e-commerce e o home office forçado e repentino sustentaram até agora os data centers”, diz Pedro L. Bicudo Maschio, autor da pesquisa do ISG e Analista da TGT Consult.

Apesar do impacto sem precedentes da Covid-19, nenhum dos 59 provedores participantes da pesquisa parou suas operações no período. Aqueles que possuem uma parcela maior das empresas clientes de comércio eletrônico relataram maior demanda por processamento e largura de banda com o aumento do volume de transações dos clientes.

Apoiador:

Alguns dos parceiros da Microsoft implantaram milhares de usuários no Microsoft Teams SaaS com conectividade ao data center. Aqueles que suportam data centers mais tradicionais relataram um aumento repentino na demanda de VPN, e alguns implantaram milhares de novas VPNs em apenas alguns dias para permitir o trabalho remoto para seus clientes.

Alguns data centers on-premise que não tinham as ferramentas necessárias para apoiar tal ambiente para seus funcionários tinham novos instalados. Bicudo explica que o relatório incluiu empresas de data center e não somente de nuvem, por esse motivo ficou muito marcante a necessidade de ter a modernização dessas tecnologias. Houve ainda uma maior percepção sobre as vantagens de se terceirizar a infraestrutura em razão das necessidades de manutenção das ferramentas e tecnologias.

“A correria para o lockdown gerou essa aceleração para a nuvem e as empresas sem a nuvem passaram a ser obsoletas. Sem dúvida, esse foi um ano que mudou a perspectiva sobre a importância da nuvem, na qual empresas gigantes passaram a reportar seus primeiros experimentos em nuvem, como, por exemplo, os cinco maiores bancos do Brasil que anunciaram ter parte de seus sistemas rodando em nuvem”.

O analista ressalta ainda que muitos fornecedores presentes na pesquisa estão prestando serviço para esses bancos. Como as grandes empresas no Brasil adotam gradualmente nuvens híbridas, a computação de ponta está avançando, porque exige uma plataforma de gerenciamento unificada, diz o relatório.

A maioria dos provedores de serviços gerenciados que oferecem suporte a ambientes corporativos complexos desenvolveram plataformas de gerenciamento robustas que reduzem o tempo de implantação para uma configuração de nuvem híbrida.

O relatório destaca ainda que muitos provedores de serviços no Brasil estão usando inteligência artificial e computação cognitiva para dar suporte à automação de serviços gerenciados. A automação inteligente se tornou o padrão para provedores de serviços gerenciados que atendem grandes empresas. Embora um data center em nuvem híbrido totalmente automatizado ainda não seja uma realidade, os fornecedores estão se movendo nessa direção, segundo a pesquisa.

Algumas empresas automatizaram até 70% de suas solicitações de serviço e resolução de incidentes. O estudo também aponta que o mercado intermediário brasileiro no setor de data center em nuvem privada e híbrida vem crescendo mais rápido que o mercado de grandes empresas. Nos últimos anos, os provedores de serviços haviam relatado que novos clientes eram empresas com data centers internos e estavam dispostos a experimentar a nuvem.

Mas, em 2019, algumas empresas do mercado intermediário brasileiro mudaram de fornecedor, indicando uma concorrência agressiva.

Já o mercado de hospedagem gerenciada vem perdendo relevância no Brasil, pois abre caminho para sistemas em nuvem pública e híbrida. No entanto, muitos fornecedores se concentraram em melhorar seus serviços gerenciados e instalações de data center. Alguns provedores deixaram o mercado de hospedagem gerenciada e os demais concorrentes estão focados em melhorar sua proposta de valor.

Uma tendência emergente é de provedores de hospedagem gerenciada que passaram a usar instalações de colocation de alta qualidade em vez de seus próprios data centers para hospedar seu hardware e software, diz o estudo do ISG. O relatório mostra ainda que provedores de segurança de data center estão expandindo seus recursos.

Os fornecedores estão focados em confiança zero, microssegmentação, SD-WAN e IA para identificação e resposta a ameaças. Os principais fornecedores também estão oferecendo firewalls de última geração que podem ser integrados a outras ferramentas de segurança.

Por Redação

Via CIO

Editor MDR

Você pode gostar também...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *