Microsserviços: desenvolvendo colaboração e produtividade

 Microsserviços: desenvolvendo colaboração e produtividade

Mais do que uma nova abordagem técnica, os microsserviços apoiam a construção de uma nova cultura dentro das organizações, ancorada no conceito DevOps.

Agilidade, flexibilidade e escalabilidade são conceitos que fazem parte do dia a dia da maioria das empresas ao redor do planeta. Os termos têm guiado todas as decisões estratégicas das organizações que buscam aumentar a produtividade, enxugar gastos, e ofertar produtos e serviços cada vez mais inovadores. Neste novo modelo de atuação das companhias, a preocupação com a TI tem se tornado latente. A modernização dos sistemas legados, que antes era uma opção, é hoje mandatória para atender às necessidades de consumidores cada vez mais exigentes e de um mundo em constante mutação.

Em um passado próximo, há cerca de dez ou cinco anos, as empresas tinham stacks próprios, uma única linguagem de programação (Java, Python, PHP, Basic etc) e um time formado somente por experts nessa linguagem. O modelo tornava o processo de desenvolvimento de novas aplicações mais lento e sujeito a falhas. Com a necessidade de entregas mais ágeis e assertivas, as abordagens monolíticas tradicionais abriram espaço para arquiteturas mais modernas, como é o caso dos microsserviços. Essa arquitetura se diferencia de outras pelo modo que decompõe a aplicação por funções básicas. Cada função é denominada um serviço e pode ser criada e implantada de maneira independente, o que significa que cada serviço individual pode funcionar ou falhar sem comprometer os demais.

Com os microsserviços, equipes e tarefas rotineiras podem se tornar mais eficientes por meio do desenvolvimento distribuído, o que impacta diretamente no modus operandi dos desenvolvedores. Acostumados a trabalhar quase sempre sozinhos, esses profissionais passam a atuar em colaboração. Por meio de grupos multidisciplinares, é possível unir os principais pontos de cada linguagem para a criação de uma única aplicação muito mais potente, eficiente e com menor risco de falhas. O trabalho simultâneo do grupo em uma mesma aplicação também resulta em menos tempo gasto com desenvolvimento.

Viabilizando múltiplos times de trabalho, os microsserviços permitem reduzir a dependência de equipes muito grandes, difíceis de serem geridas. Também possibilitam otimizar a organização dos times e o atendimento, dando assim mais liberdade para as empresas escalarem a tecnologia. O impacto positivo dos microsserviços se estende ao modelo de negócios. Ao adotar a abordagem, as organizações ganham, além da escalabilidade, em custo, volume e desempenho. É uma resposta de excelência às necessidades de modernização, que interferem até na expansão dos produtos e serviços das companhias.

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Simplificando o gerenciamento

A essência dos microsserviços está na comunicação serviço a serviço. À medida que a complexidade dessa comunicação aumenta, se faz necessário controlar os diferentes componentes de uma aplicação que compartilham dados entre si. Uma maneira de fazer este gerenciamento é a service mesh, camada de infraestrutura dedicada que é incorporada diretamente em uma aplicação. Essa camada visível pode documentar o desempenho das interações entre os diferentes componentes da aplicação, facilitando a otimização da comunicação e evitando o tempo de inatividade, conforme a aplicação evolui.

O sistema torna a tarefa do gerenciamento muito mais simples, possibilitando administrar os grupos multidisciplinares desenvolvedores de maneira mais tranquila, dando aos profissionais a chance de executar seu trabalho de forma muito mais direcionada. Sem ter que pensar no âmbito geral da aplicação, como acontece nas abordagens monolíticas, o desenvolvedor passa a focar unicamente na regra de negócio, trabalhando para a entrega pela qual é responsável.

Juntos, microsserviços e service mesh conseguem impulsionar as tarefas e engajar os profissionais para trabalhar com a tecnologia, fazendo com que eles sejam capazes de descobrir e entregar o seu melhor. Também permitem reduzir a perda de recursos de tempo e verba, além de provocar uma revolução na maneira de pensar e atuar dar equipes de desenvolvedores. Profissionais que, por conta de tecnologias ultrapassadas, não conseguiam mais dar o seu melhor, passam a apresentar uma elevação notável de produtividade e uma integração fundamental para o desenvolvimento das empresas e dos negócios.

Nova arquitetura, novo pensamento

Mais do que uma nova abordagem técnica, os microsserviços apoiam a construção de uma nova cultura dentro das organizações, ancorada no conceito DevOps. A combinação dos termos desenvolvimento e operações traduz, na prática, a união de uma abordagem de cultura, automação e design de plataforma com o objetivo de agregar mais valor aos negócios, aumentando a capacidade de resposta às mudanças por meio de entregas rápidas e de alta qualidade.

Adotar o DevOps significa conectar aplicações legadas a uma infraestrutura e aplicações modernas e nativas em nuvem. Com a união da cultura DevOps e de uma arquitetura de microsserviços, a empresa consegue escalar sua plataforma, resolver bugs e constantemente melhorar a experiência do usuário. Porém, os benefícios desse novo modelo de atuação não se limitam à empresa em si. Eles se estendem aos próprios desenvolvedores que, além de expandirem seus horizontes com a troca constante com outros profissionais do setor, ainda podem aumentar exponencialmente sua produtividade.

Segundo dados da Pesquisa Global DevSecOps de 2020, realizada pela GitLab, quase 83% dos desenvolvedores estão liberando código mais rapidamente e cerca de 60% estão implantando código várias vezes ao dia, diariamente ou em dias alternados. O desenvolvedor continua trabalhando no que está habituado, mas consegue realizar entregas de maneira muito mais ágil e assertiva.

Desenvolvedores: programados para o futuro

Para esses profissionais a mudança parece positiva. De acordo com o levantamento Software Development Trends 2020, o principal desafio endereçado pelos desenvolvedores era compartilhar conhecimento, barreira que vem sendo quebrada com a ajuda da arquitetura de microsserviços e da consequente adoção do DevOps.

A implementação dessas abordagens e metodologias alterou o papel e as responsabilidades dos desenvolvedores. Hoje, para ser um profissional de sucesso, não basta mais se limitar aos conhecimentos técnicos e ao “saber programar”. O desenvolvedor da atualidade precisa entender também dos processos que integram o negócio para o qual estão programando. Além disso, precisa saber se comunicar, interagir com os colegas, buscando as melhores entregas, de maneira ágil.

Para estar programado para o que vem pela frente, esse profissional precisa respirar códigos, transpirar colaboração e inspirar a disseminação de uma cultura integrativa, apoiada pela diversidade, pela inclusão e pela multidisciplinaridade. Na tecnologia do agora não há mais espaço para o fazer ou ser sozinho. Tudo é construído em conjunto. Uma visão que, aos poucos, está se enraizando nos desenvolvedores: ao serem questionados sobre o futuro, 71% disseram estar preparados ou muito preparados, como apontou a pesquisa da GitLab.

Fundamentais para entregar resultados, os desenvolvedores são agora agentes de uma transformação cultural fundamental para as organizações. Contando com a atuação de profissionais colaborativos e cada vez mais conectados aos princípios dos negócios, e com a arquitetura de microsserviços como alternativa viável para o apoio à transformação do seu negócio, as empresas podem se destacar em um universo extremamente competitivo. Um universo no qual sai na frente quem consegue trabalhar em sinergia, atuando em conjunto por um único propósito: responder às demandas de um mercado cada vez mais exigente e ágil.

Por Iago Leoni

Via CIO

*Iago Leoni é Solution Architect da Red Hat Brasil

Editor MDR

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