Mercado global de minério de ferro enfrenta enigma de oferta

 Mercado global de minério de ferro enfrenta enigma de oferta

Por enquanto, a Vale diz que não há necessidade de reduzir o guidance anual de 310 milhões a 330 milhões de toneladas.

O mercado global de minério de ferro tenta decifrar um enigma: a Vale pode recuperar os volumes que está perdendo após a interdição do Complexo de Itabira devido aos casos de coronavírus entre trabalhadores? A resposta vai ajudar a determinar se os preços ampliarão os ganhos além de US$ 100 a tonelada ou se vão desacelerar.

Os contratos futuros atingiram o maior nível em 10 meses na segunda-feira, depois que a mineradora recebeu a ordem de suspender as operações no complexo, que respondem por 10% da produção anual.

Por enquanto, a Vale diz que não há necessidade de reduzir o guidance anual de 310 milhões a 330 milhões de toneladas, pois o provável impacto do surto já havia sido incluído quando a estimativa foi divulgada em abril.

Se essa quantidade será produzida é fundamental, pois representa um fator que pode fazer a diferença entre um superávit ou déficit.

Alguns são céticos. A Vale terá que acelerar drasticamente a produção para alcançar o guidance anual, algo que não será fácil com o surto, segundo a Hongyuan Futures. A mineradora precisa embarcar 180 milhões de toneladas no segundo semestre, exigindo uma escala “quase impossível de alcançar”, disseram analistas como Sun Jiaxing em relatório. “A oferta ainda não será capaz de atender à demanda.”

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Os preços do minério de ferro ganhavam terreno mesmo antes da interdição do Complexo de Itabira, impulsionados pela forte demanda na China, a maior importadora, e pelas dificuldades de fornecimento no Brasil, inclusive para a Vale.

O guidance divulgado pela empresa há dois meses foi reduzido após volumes de exportação mais baixos até abril, em parte devido às condições climáticas. Isso colocou o foco no desempenho do segundo semestre, mesmo que a propagação do coronavírus possa afetar mais minas.

“Mantemos nossa visão de que a oferta vai melhorar e a demanda piorar à medida que o ano avança”, disse David Cachot, diretor de pesquisa da Wood Mackenzie.

Apesar dos problemas no Brasil, estimativas apontam que o mercado voltará a registrar superávit no quarto trimestre, pressionando os preços, segundo o Morgan Stanley.

As exportações brasileiras se recuperaram nas últimas duas semanas, e a Vale deve produzir cerca de 300 milhões de toneladas neste ano, informou o banco em relatório.

Embora a Vale tenha dado garantias quanto ao guidance, “a rápida deterioração da situação no Brasil enfrenta outros riscos de contágio”, disse Hui Heng Tan, da Marex Spectron. “Não é reconfortante observar que outros estados importantes produtores de minério de ferro, como o Pará, que abriga o Sistema Norte, assim como o Maranhão, estão entre os estados com o maior número de casos confirmados.”

Por Boomblerg

Via MoneyTimes

Editor MDR

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