Mais de 40% dos brasileiros revelariam dados sigilosos em troca de descontos

 Mais de 40% dos brasileiros revelariam dados sigilosos em troca de descontos

Quatro em cada dez consumidores brasileiros estão dispostos a compartilhar dados particulares sigilosos para obter descontos, serviços customizados ou melhores classificações em sistemas de social rating. É o que mostra a pesquisa global ‘Créditos sociais e segurança: adotando o mundo das avaliações’ realizada pela Kaspersky para entender a percepção das pessoas sobre as avaliações sociais e se elas estão preparadas para participar destes sistemas.

De acordo com a pesquisa, mais de 60% dos consumidores brasileiros não sabem ou nunca ouviram falar em social rating (ou sistemas de classificação social). Inicialmente usados por instituições financeiras e lojas online para auxiliar na tomada de decisão na aprovação de uma transação ou compra virtual, os sistemas de social rating tiveram uma grande expansão e passaram a ser aplicados em distintas áreas. Estes sistemas trabalham com algoritmos automatizados que se baseiam no comportamento e na influência dos usuários na Internet.

Por exemplo, para combater a pandemia da Covid-19, muitos governos ao redor do mundo implementaram este sistema para acompanhar a movimentação urbana de pessoas, sua capacidade de comprar mercadorias ou o acesso delas a serviços sociais. A questão que a Kaspersky queria mais entender era se as pessoas estão realmente prontas para isso.

De acordo com o relatório, 61% dos consumidores brasileiros não sabem (11%) ou nunca ouviram falar (50%) dos sistemas de social rating. Apesar desses sistemas já serem bastante usados e estarem cada vez mais conhecidos, os consumidores não sabem muito bem sobre sua operação e a eficiência com que eles estão sendo implementados. Tanto que, dos brasileiros que o conhecem, 39% tiveram dificuldades para entender como estes sistemas funcionam. Entre as principais dúvidas estão como descobrir sua pontuação, como ela é calculada e como pode ser corrigida em caso de imprevisto.

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Além das dificuldades conceituais, existem questões técnicas que dificultam esta compreensão, pois os algoritmos destes sistemas usam machine learning e é difícil saber quais escolhas serão feitas. Isso torna quase impossível confiar nelas, especialmente em termos de segurança. De acordo com a análise da Kaspersky sobre a segurança dos sistemas de social rating, esses programas podem ser especialmente vulneráveis à manipulação artificial, como reduzir a pontuação de alguém para diversos fins.

Além disso, como qualquer outro sistema, eles estão suscetíveis a diferentes tipos de ataque, seja na implementação técnica e de programação, seja na mecânica do sistema. O último poderia levar ao surgimento de um novo tipo de mercado clandestino, em que as pontuações dos usuários seriam convertidas em dinheiro real e vice-versa.

No entanto, isso não impede que as organizações continuem coletando dados, especialmente quando as pessoas estão dispostas a permitir. O relatório da Kaspersky mostra que mais de 43% dos respondentes no Brasil compartilhariam dados particulares sigilosos para garantir melhor classificação, desconto ou para receber serviços customizados. Além disso, esses consumidores estão ainda mais dispostos a compartilhar seus perfis de mídias sociais por outros benefícios.

A pesquisa perguntou ainda se os entrevistados estariam satisfeitos caso um governo monitorasse suas atividades nas mídias sociais para manter os cidadãos seguros e os brasileiros responderam da seguinte maneira: 37% dos pesquisados disseram concordar com isso, 33% discordaram e 30% não souberam responder.

“Governos e organizações estão se digitalizando e temos que defender os benefícios que a tecnologia proporciona, porém sem que ela ponha em risco nossa segurança e privacidade. Por isso é preciso estar claro o nível de acesso às informações pessoais e às vidas digitais destes programas de social rating e, o mais importante, como eles processarão e protegerão estes dados. Isso é especialmente crítico na atual situação de isolamento em que vivemos, quando as pessoas não têm outra opção além dos serviços online. É necessário ter o devido controle hoje para não perder o controle amanhã – tanto dos consumidores sobre seus dados, quanto das empresas/governo sobre os dados de terceiros”, afirma Thiago Marques, analista de segurança da Kaspersky no Brasil.

Para Genia Kostka, professora de política chinesa na Freie Universität Berlin, as sociedades precisam discutir de maneira sincera e transparente se e como pretendem usar essas tecnologias e, mais importante, quem fará isso e com qual intenção. “No passado, agências reguladoras e estrategistas na maioria dos países não conseguiam acompanhar a rápida velocidade de adoção dos sistemas de social rating. Hoje em dia, ao mesmo tempo que eles estão cada vez mais presentes em nossas vidas, é importante discutir os riscos que os acompanham, como de violações de privacidade, discriminação e preconceito.”

Por Redação

Via tiinside

Editor MDR

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