Indústria Precisa Investir em Capacitação

 Indústria Precisa Investir em Capacitação

Gerdau investe 2% de seu faturamento na transformação digital e já colhe frutos das inovações.

Seria simples migrar para a indústria 4.0 e absorver a onda de inovações que ela traz, se o processo dependesse apenas de capital. Bastaria as empresas centenárias como a Gerdau estruturarem suas finanças e definirem seus objetivos. “O problema é que a transformação digital não é uma atualização tecnológica, é a reconstrução dos modelos de negócios e das operações”, afirma Gustavo França, líder global de transformação digital da Gerdau.

Nesta balança, afirma o gestor, o pêndulo se move na direção das empresas que conseguirem atrair e reter os melhores talentos. “É uma equação complexa e na qual 80% do sucesso depende das pessoas”, diz.

O executivo não se refere a profissionais recém-saídos das universidades ou cursos de programação. Mas dos experientes.

“Capacitação digital é algo que pode ser providenciado”, afirma. Na indústria, a sobrevivência está nas mãos dos mais experientes, daqueles que conhecem os meandros do setor e que são capazes de analisar informações e desenvolver soluções relevantes. “Falta ao cientista de dados a visão de nossos gerentes comerciais e operadores de chão de fábrica. É um conhecimento de vivência”, exemplifica.

Ao entender que a migração para a indústria 4.0 era algo inevitável e urgente, a Gerdau encarou, em 2014, mudanças na cultura corporativa. Foi um processo de autocrítica longo e doloroso, mas essencial para iniciar a conversa da transformação digital. “É claro que buscávamos produtividade e competitividade, mas as ferramentas tradicionais estavam esgotadas”, afirma.

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Entre os desafios, ele destaca a quebra da hierarquia, que reduziu a burocracia na empresa e incentivou a geração de ideias. “Fomos entender o que fazia das startups um fenômeno criativo. Mas trazer esses conceitos para uma grande empresa não é algo trivial”, afirma.

A formação de times com autonomia para tocar projetos experimentais – e, principalmente, com o direito de errar – foi um dos primeiros passos para a mudança. Quando os colaboradores entenderam que a companhia “topava correr riscos”, os projetos começaram a pipocar em todos os setores.

Sugiram ideias para resolver problemas dentro da empresa, que avançaram para a cadeia produtiva, iniciativas para melhorar o relacionamento com os clientes e um novo olhar para o processo de inovação.

A Gerdau ampliou a parceria com universidades, centros de pesquisa, aceleradoras e incubadoras de empresas e enxergou nas startups aliadas de peso. “A colaboração é elemento central da economia digital. Sem visão de rede, uma empresa do tamanho da Gerdau não se move”, reforça França.

No ano passado, a companhia investiu 2% de seu faturamento na transformação digital e já colhe frutos das inovações. “Implementamos soluções de inteligência artificial em diversos processos, que vão da área de matéria-prima até a auditoria de negócios”, diz França.

Para o executivo, empresas de grande porte têm a responsabilidade de aglutinar competências – dentro e fora de seus domínios – para ampliar a adoção de tecnologia e integrar as cadeias produtivas. “A competitividade na era digital só é possível em um cenário no qual todos ganham eficiência”, comenta. Ele ainda ressalta que é preciso disciplina da liderança para reunir equipes multidisciplinares no desenho e desenvolvimento de soluções. “Problemas complexos exigem diferentes visões, então o programador tem de se sentar com o operador de máquinas”, exemplifica.

França destaca a participação da Gerdau em redes internacionais para o desenvolvimento da indústria 4.0. Entre as parceiras está a aceleradora Plug and Play, de São Francisco (EUA). “Temos um escritório no Vale do Silício e promovemos intercâmbio entre startups brasileiras e estrangeiras”, diz.

Por Valor Econômico

Via Instituto Aço Brasil

Editor MDR

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