Futuro do trabalho: o que aprendemos com a pandemia?

 Futuro do trabalho: o que aprendemos com a pandemia?

Com base em estudo conduzido no período pré-pandemia e pandemia, destacamos 6 principais lições aprendidas e seu impacto no futuro.

Todos os planos das empresas para aproveitar os avanços tecnológicos ou melhorar as práticas de trabalho remoto se aceleraram drasticamente na primeira metade de 2020 devido à pandemia. Um estudo recente da FreeForm Dynamics, encomendado pela Cisco e que coleta dados do período pré-pandêmico a pandêmico (final de 2019 a maio / junho de 2020), traz uma nova perspectiva sobre os espaços de trabalho moderno a partir da experiência de usuários reais de todo o mundo.

Com base neste estudo, resumo aqui as 6 lições principais aprendidas e seu impacto ao futuro. É difícil pensar em outro período da história do trabalho onde se tenha feito tanta modernização das práticas do trabalho tão rapidamente. De acordo com o relatório, em questão de dias, a quantidade de trabalhadores remotos quadruplicou.

Agilidade empresarial

A capacidade de adaptação e de responder rapidamente aos eventos e às condições de mudança tem sido maior que esperado, e isso inclui a América Latina. A agilidade digital das organizações se dá pela facilidade de adaptação à nova forma de trabalhar. As organizações que se sentem “confortáveis com a mudança” se destacam nas respostas.

Essa atitude se extrapola para qualquer problema emergente, oportunidade, tecnologia ou ideia; as empresas com mentalidade ágil tendem a agir de forma rápida, proativa e decisiva, enquanto outras permanecem inertes e perdem o fôlego. Espera-se que aquelas que foram mais lentas nesta ocasião, tenham aprendido com esse ‘chamado de atenção’.

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O valor real das opções da tecnologia moderna

Como nunca, a tecnologia tem mostrado seu poder de habilitador de possibilidades. Um ambiente tecnológico adequado é fundamental para mover-se rápida e efetivamente. Se você está lutando contra sistemas antigos que são difíceis de estender, escalar ou mudar, os processos de transformação se tornam lentos e até mesmo impossíveis, em alguns casos.

A pandemia expôs essas limitações: 64% dos pesquisados responderam que sua adoção de tecnologias de colaboração baseadas na nuvem acelerou. E 58% também reconhecem que muitas das ferramentas necessárias já estavam disponíveis desde antes da pandemia, mas tinham sido ignoradas.

A verdadeira natureza da produtividade

A adoção de enfoques modernos como o uso de equipamentos virtuais e ágeis tem um grande impacto na produtividade. É fundamental que exista um equilíbrio entre confiar nos empregados com maior flexibilidade e autonomia, e manter o controle.

Alguns empregados que antes iam diariamente a um escritório reconhecem que – sem todas as interrupções e distrações desse lugar – eles se tornaram muitos mais produtivos. Não se pode generalizar, mas se também levarmos em conta que alguns funcionários trabalham melhor do que outros sem supervisão, as variações nas percepções em torno da produtividade são perfeitamente compreensíveis.

A natureza essencial da interação social

Com a adoção de ferramentas de colaboração digital, muitas das reuniões de trabalho habituais podem acontecer quase sem contratempos. No entanto, a clara perda de contato social, cara a cara, não passa despercebida. Felizmente, muitos empreenderam esforços significativos para mitigar isso, que vão desde a implementação de “encontros” sociais e manter contato por meio de canais de bate-papo, até esforços mais criativos como concursos interativos ou atualizações de notícias.

Durante a fase de transição a um local de trabalho pós-pandemia, deve-se adotar um enfoque flexível com “o melhor de ambos mundos”, que equilibre os benefícios do trabalho tanto virtual como físico. Os líderes devem reconhecer o valor de impulsionar medidas e capacitar os empregados para que permaneçam socialmente conectados.

O futuro da saúde e do bem-estar

O impacto da situação desencadeada pela pandemia na saúde física e mental das pessoas é inegavelmente profundo. Muitas organizações se transformaram em um ritmo sem precedentes, enfrentando desafios de adaptação ao longo do caminho.

Entre os líderes pesquisados, 76% informaram que os funcionários encontram dificuldade em manter o balanço entre a vida pessoal e profissional, enquanto que 73% reconhecem dificuldade em manter o ânimo e energia das equipes de trabalho.

Felizmente o estudo também mostra que muitos gerentes e alto executivos deixaram para trás o estilo autocrático tradicional de liderança, em favor de uma abordagem mais flexível, transparente e centrada em pessoas.

A questão da saúde e bem-estar se tornou muito mais em destaque, e a mudança para trabalhar em casa fez com que muitos gestores se preocupassem realmente pelas condições em que seus funcionários poderiam estar trabalhando, além de temer o equilíbrio entre seu trabalho e vida pessoal.

A oportunidade de estender o talento

O trabalho remoto abre possibilidades para melhorar a inclusão: contar com funcionários que antes não estavam disponíveis por motivo de distância ou dificuldade de deslocamento ou impedimento físico. As práticas de busca de talentos e recrutamento podem ser adaptadas para superar as barreiras de localização de um escritório, rompendo brechas geográficas, sociais, educacionais, culturais e econômicas. Alcançar os “nativos digitais” – Geração Z – também surge como uma questão de destaque, já que a prática do trabalho a distância significa uma perspectiva atraente para a geração mais jovem. E embora seja impossível generalizar, a preferência pesquisada da Geração Z por um empregador digital, flexível e diversificado provavelmente colocará as organizações que valorizam a autonomia, a inclusão e a presença virtual em uma vantagem competitiva.

A próxima agenda de transformação do espaço de trabalho

Quando as restrições forem reduzidas, haverá a tentação em algumas organizações de “voltar atrás” nos avanços do trabalho remoto. No entanto, faz sentido capitalizar as experiências e aprendizados desse período pandêmico e tomá-los como vantagens para a geração de agilidade organizacional. O estudo mostra que mais de 60% das organizações já possuem uma forte iniciativa de transformação.

Se esta crise nos ensina algo é que nunca podemos realmente prever o que está por vir.

Por Pablo Marrone

Via CIO

*Pablo Marrone é diretor de colaboração da Cisco América Latina

Editor MDR

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