Faturamento da indústria mineira tem recuperação

 Faturamento da indústria mineira tem recuperação

O avanço da flexibilização das medidas de distanciamento social para controle do Covid-19, em maio, fez com que os resultados da indústria de Minas Gerais apresentassem evolução positiva frente a abril.

Porém, em relação ao mesmo período do ano passado, o desempenho continua negativo. De acordo com a Pesquisa Indicadores Industriais de Minas Gerais (Index Fiemg), depois de ter registrado, em abril, uma das quedas mais expressivas da série histórica (-14%), o faturamento da indústria geral cresceu 9,2% em maio. O estudo foi divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

A analista de estudos econômicos da Fiemg, Júlia Silper, explica que o avanço foi puxado pelo resultado positivo da indústria de transformação, que apresentou elevação de 10,2% no faturamento.

As horas trabalhadas na produção e a utilização da capacidade instalada da indústria geral também aumentaram após a retomada das atividades em empresas que estavam paralisadas.

“Os dados de abril bateram os recordes negativos e, em maio, tivemos uma pequena melhora nos resultados, que pode ser atribuída ao início do relaxamento das medidas de distanciamento social. Isso puxou o resultado. Porém, em relação a maio de 2019, os resultados se mantiveram negativos, reflexo da crise provocada pelo Covid-19”, explicou.

Na comparação com maio de 2019, o índice geral de faturamento caiu 12,4%, devido a uma queda de 12,8% na indústria de transformação. No acumulado do ano até maio, o indicador recuou 7,7%, reflexo da queda de 8% também no segmento de transformação.

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No mesmo período, na indústria extrativa houve avanço de 38,2%. Nos últimos 12 meses, o faturamento da indústria geral caiu 7%, resultado dos recuos observados em dois segmentos da indústria: extrativo (-21,3%) e de transformação (-4,9%).

A utilização da capacidade instalada na indústria geral ficou em 74,5% em maio, segundo menor patamar da série histórica, iniciada em 2003. O indicador avançou 0,8 ponto percentual em relação a abril (73,7%), quando foi registrado o menor valor da série. Mesmo com o pequeno aumento, a variável segue abaixo da média histórica, que é de 82,7%.

O levantamento da Fiemg mostrou que, com a retomada de parte das atividades econômicas em maio, as horas trabalhadas na produção da indústria geral cresceram 6,1% no mês frente a abril. O resultado foi impulsionado pelos avanços nas indústrias extrativa (1,4%) e de transformação (7,0%). No confronto com maio de 2019, o índice geral de horas trabalhadas recuou 17,1%, reflexo da queda de 19,7% na indústria de transformação.

De janeiro a maio, as horas caíram 6%, em virtude da redução de 7,6% no mesmo segmento. Nos últimos 12 meses, o indicador diminuiu 2,2%, reflexo da retração verificada nas indústrias extrativa (-7,9%) e de transformação (-1,9%).

Emprego – O emprego da indústria geral ficou praticamente estável em maio, na comparação com abril, com pequena variação negativa de 0,3%. Em relação a maio de 2019, o índice geral caiu 1,8%, em virtude da queda de 2,5% observada na indústria de transformação.

Nos primeiros cinco meses, o emprego avançou 3%, resultado dos aumentos nas indústrias extrativa (1,5%) e de transformação (2,7%). Nos últimos 12 meses, o índice geral cresceu 3,1%.

Na indústria geral, a massa salarial registrou queda de 7% em maio, na comparação com abril, em razão dos recuos nas indústrias extrativa (-1,1%) e de transformação (-7,4%).

De acordo com Júlia, a redução da massa salarial em maio aconteceu porque abril foi marcado por um maior volume de acertos rescisórios e pagamento de férias e participação nos lucros.

“A queda na massa salarial em maio, frente a abril, é justificada por três fatores. O primeiro foi a maior concessão de férias, o que ocorreu para atender às medidas de isolamento e redução das atividades industriais. Também tivemos um aumento das rescisões de contrato e pagamento dos acertos. Além disso, notamos que, em abril, houve pagamento de participação nos lucros, o que não aconteceu em maio”.

Ainda em relação à massa salarial, em maio, frente a igual mês do ano anterior, o índice recuou 11,8%, devido ao desempenho negativo na indústria de transformação (-13,4%). De janeiro a maio, a massa salarial aumentou 1,9%, reflexo dos avanços nas indústrias extrativa (6,7%) e de transformação (1,1%). Nos últimos 12 meses, o indicador geral mostrou elevação de 2,8%, explicada pelos crescimentos nos dois segmentos da indústria.

Futuro – As expectativas para os próximos meses são cautelosas, principalmente, por alguns municípios, incluindo Belo Horizonte, terem voltado atrás no processo de flexibilização, uma vez que os casos de coronavírus, em Minas Gerais, estão aumentando.

“Existem dúvidas e incertezas em relação ao desempenho das indústrias porque não sabemos como serão as ondas de contaminação, que já estão ocorrendo em vários municípios, fazendo com que os prefeitos retrocedam no processo de reabertura das atividades, e isso impacta a indústria”, explicou Júlia.

Por Diário do Comercio

Via Instituto Aço Brasil

Editor MDR

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