Fabricante de máquinas e equipamentos prevê queda de 10% no faturamento

 Fabricante de máquinas e equipamentos prevê queda de 10% no faturamento

Apesar da previsão de queda de receita em 2020, Abimaq já enxerga diminuição do pessimismo no setor e estima início de recuperação em junho.

O setor de máquinas e equipamentos prevê uma diminuição de faturamento da ordem de 10% para 2020 em relação a 2019, atingindo R$ 112,5 bilhões. No início do ano, a expectativa era de crescimento de 10%. “Não temos como comemorar uma queda dessa, mas no começo da pandemia o pessimismo no setor era maior. Os números mais recentes mostram que a situação é muito ruim, mas poderia ser pior”, afirmou ao Valor José Velloso, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Entre janeiro e abril, o faturamento do setor somou R$ 36,5 bilhões, 6,5% menor se comparado ao registrado em igual período do ano passado. Os números pioraram em abril, quando os efeitos da crise se intensificaram e levaram a uma queda acentuada tanto das exportações, quanto das vendas no mercado interno. No mês, o faturamento encolheu 27% na base anual e anulou a pequena alta acumulada no ano até março.

O baque foi especialmente forte nas exportações, dada a desaceleração em importantes mercados para o país. Em abril, o recuo das exportações foi de 41,6% na base anual, somando US$ 512 milhões. Porém, o câmbio amenizou o movimento – em reais, a receita com as vendas caiu 24%.

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De acordo com Velloso, pesquisas junto aos fabricantes mostram que o pessimismo no setor já diminuiu. Além disso, o executivo observa que alguns subsetores têm se mostrado mais resilientes à crise, com as vendas “andando de lado” ou registrando aumento marginal. São exemplos as máquinas agrícolas e aquelas empregadas em setores de bens de consumo, como os de alimentos e embalagens. Já entre os mais prejudicados, estão as máquinas para infraestrutura e para a indústria de transformação.

Pelas projeções da Abimaq, o faturamento do setor deve ter nova queda em maio, de 7% ante o mês de abril, e já começará a mostrar certa recuperação em junho, com alta de 1,3% frente ao mês anterior. Mas só a partir de meados de 2021 a indústria de máquinas e equipamentos deve ser capaz de retomar níveis pré-crise. “Entendemos que muitos investimentos vão ser postergados, e que haverá problemas de demanda mesmo após a fase mais aguda da crise. Para voltarmos ao otimismo do começo de 2020, só na segunda metade de 2021”, diz.

Dada a extensão ainda incerta da crise, a Abimaq defende que o governo renove iniciativas já adotadas, como a prorrogação do recolhimento de PIS/Cofins e INSS. Além disso, a associação sugere a ampliação das medidas de crédito, para garantir que o capital de giro chegue de fato às empresas. Uma das propostas é criar uma linha de crédito garantida pelo Tesouro utilizando os bancos públicos. “Os bancos privados estão avessos a risco, o dinheiro não está chegando”.

Por Valor Econômico

Via Instituto Aço Brasil

Editor MDR

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