Em meio à resistência local, Amazon constrói na Índia seu maior escritório no mundo

 Em meio à resistência local, Amazon constrói na Índia seu maior escritório no mundo

(FILES)This file photo taken on November 28, 2019, shows the Amazon logo at one of the company’s centre in Bretigny-sur-Orge. – US logistics giant Amazon announced on April 27, 2020, that it was extending until May 5, 2020, the suspension of activity at its distribution centres in France, after a court decision requiring it to assess the risks associated with the COVID-19 outbreak, caused by the novel coronavirus. (Photo by Thomas SAMSON / AFP)

Os negócios da empresa na Índia incomodam comerciantes e políticos do país, que veem a gigante como uma ameaça para o comércio local.

A Amazon está construindo seu maior escritório no mundo até o momento, em Hyderabad, na Índia. O mercado altamente promissor do país levou a gigante a instalar na região (conhecida como “o Vale do Silício da Ásia”) o maior edifício de escritórios construído no mundo pela varejista on-line.

No entanto, o projeto enfrenta desafios, incluindo resistência de empresários e políticos locais, de acordo com o The New York Times.

A Índia é o mercado de crescimento mais rápido do mundo para usuários de Internet, por isso, empresas de tecnologia do mundo todo estão de olho nesse mercado. Perto de 120 milhões de compradores on-line, em 2018, de uma população de mais de um bilhão, o mercado de comércio eletrônico se torna muito atrativo para as gigantes da tecnologia.

Assim como a Amazon, outras multinacionais do setor já se instalaram no país: Facebook, Google, Microsoft e Apple já gastaram US$ 25 milhões para o desenvolvimento de seus escritórios lá.

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Novo lar para pesquisas de ponta

A Amazon escolheu Hyderabad (também chamada como “Telengala”), uma cidade de quase 10 milhões de habitantes no Sul da Índia, como sua base de operações no país.

“Hyderabad é um conhecido centro de talentos em tecnologia de software, e o governo tem sido um facilitador para que tenhamos um campus desse tamanho”, disse Minari Shah, porta-voz da Amazon. “Esta é uma confirmação importante de como a Índia continua a ser importante para a Amazon”.

Quatro anos após o início da construção, o primeiro escritório totalmente pertencente à Amazon fora dos Estados Unidos, em Hyderabad, junta-se a 40 outros escritórios, 67 centros de expedição, 1.400 estações de entrega e uma força de trabalho de mais de 60.000 (mais 155.000 empreiteiros) no país, segundo a reportagem.

O prédio de 1,8 milhão de pés quadrados equivale a quase 65 campos de futebol. De acordo com a publicação, a empresa, entretanto, prevê a construção de um prédio ainda maior no Condado de Arlington, no estado da Virginia (EUA), que pode ter até oito milhões de pés quadrados.

O escritório em Hyderabad foi inaugurado no ano passado. Com 15 andares, possui salas de oração, um pequeno campo de críquete sintético, 49 elevadores, um heliporto e uma lanchonete aberta 24 horas por dia em um campus que, segundo a empresa, contêm 2,5 vezes mais aço que a Torre Eiffel.

É também o lar de 7 mil funcionários de uma força de trabalho esperada de 15 mil, em grande parte composta por equipes de tecnologia focadas no uso de machine learning e desenvolvimento de software para inovar serviços – como o serviço de carregamento de dinheiro da Amazon Pay para transações digitais em um país com 190 milhões de cidadãos que não usam bancos – bem como funcionários de atendimento ao cliente, diz o jornal.

País quer diminuir influência local de empresas externas

O robusto projeto, entretanto, enfrenta resistência de comerciantes e políticos locais. O jornal ressalta que a Índia proíbe o investimento estrangeiro direto no varejo. As leis do país determinam que a Amazon e outras firmas de comércio eletrônico de propriedade estrangeira devem ser mercados neutros que dependem de vendedores independentes.

Em janeiro, quando Jeff Bezos, fundador da empresa, visitou a Índia, encontrou um caso de antitruste de reguladores indianos contra a Amazon e o gigante do comércio eletrônico indiano Flipkart, propriedade em grande parte do Walmart.

Reguladores de varejo da Índia estão investigando a Amazon sob alegações de que ela está usando grandes descontos e vendedores preferenciais, disse ao jornal Satish Meena, Analista Sênior da empresa global de pesquisa de tecnologia Forrester. “Existem lacunas que eles estão explorando; todo mundo sabe disso”, disse Meena.

A Amazon também enfrenta acusações antitruste na União Europeia, e
nos Estados Unidos, Bezos e outros líderes do segmento foram
interrogados por legisladores em julho, devido à acusações de práticas
anticompetitivas.

Praveen Khandelwal, fundador e Secretário-geral da Confederation of All India Traders, que supervisiona 70 milhões de comerciantes e 40.000 associações comerciais, o novo escritório da Amazon é apenas uma forma de “pressionar pelo controle e domínio sobre o comércio varejista indiano de uma forma mais estruturada”. Khandelwal liderou protestos contra as práticas comerciais da Amazon neste ano. Ele diz que a presença da empresa já resultou no fechamento de milhares de empresas locais em todo o país, de acordo com o NYT.

Desde a pandemia, no entanto, com o comércio eletrônico como o único
canal de venda de produtos por meses, mais pequenas empresas estão
percebendo o potencial de trabalhar com empresas como a Amazon e a
Flipkart, acrescentou Meena ao jornal.

Em 2018, a Amazon era o segundo maior varejista on-line da Índia, atrás da Flipkart, com 32% do mercado (em comparação com 41% nos Estados Unidos). Analistas da Forrester preveem que as vendas de e-commerce no país chegarão a quase US$ 86 bilhões em 2024.

Como forma de minimizar os efeitos da resistência sofrida no país,
Bezos anunciou um investimento de US$ 1 bilhão, durante sua visita em
janeiro, para ajudar pequenas e médias empresas a impulsionar seu
crescimento on-line.

Por Redação

Via Computer World

Editor MDR

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