Custo do trabalho na indústria brasileira cai puxado por ganho de produtividade

 Custo do trabalho na indústria brasileira cai puxado por ganho de produtividade

Estudo da CNI mostra que custo do trabalho caiu 3,6%, em 2019, em relação aos principais parceiros comerciais do país. Indicador está em queda desde 2012.

O custo unitário do trabalho (CUT) na indústria brasileira diminiu 3,6% no ano passado frente à média dos principais parceiros comerciais do Brasil. Entre 11 países analisados, o Brasil apresentou a terceira maior queda no indicador, atrás apenas de Argentina e França.

Conforme estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o principal fator para a queda no CUT no país foi o aumento da produtividade do trabalho. Apesar de ter crescido 0,6%, foi o segundo melhor desempenho, atrás apenas da Coreia do Sul, que teve alta de 1,4% no indicador no período. 

“Apesar de ser um aumento pouco significativo, o Brasil apresentou o segundo melhor desempenho frente aos competidores, o que impacta positivamente a competitividade. A produtividade do trabalho efetiva, a que compara o Brasil com a média de nossos principais parceiros comerciais, registrou alta de 2,9%”, explica a economista Samantha Cunha.

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A maioria dos parceiros comerciais do Brasil registrou diminuição na produtividade do trabalho. Além de Brasil e Coreia do Sul, apenas México e Estados Unidos não registraram queda no indicador.

O salário real também contribuiu para a queda do indicador em 2019, mas em menor grau. A redução foi de 1,3% frente à média dos salários reais dos parceiros comerciais. Já a taxa de câmbio reduziu um pouco a competitividade do país frente aos demais países, com apreciação de 0,6% do real frente às moedas dos parceiros entre 2018 e 2019.

Desde 2012, o CUT está em queda e, entre 2011 e 2019, teve redução acumulada de 29%. O principal fator para essa trajetória foi a depreciação cambial: o real desvalorizou-se 24,7% frente às moedas dos parceiros no período. 

A produtividade do trabalho também teve impacto significativo nesse ganho de competitividade. O indicador brasileiro cresceu 12% frente à média dos demais países entre 2011 e 2019. Já o salário médio real segurou o avanço maior na competitividade. Ele cresceu 14,7% no período, acima dos ganhos de produtividade.

Custo do trabalho mantém queda em 2020, marcado pela recessão econômica

A previsão é que, em 2020, o custo de trabalho apresente queda, mantendo a trajetória dos últimos dois anos. No entanto, essa redução ocorre em um contexto de recessão econômica causada pela pandemia de covid-19, com queda do PIB e do emprego. A produtividade deve ter uma contribuição pequena, com crescimento próximo de zero pelo terceiro ano seguido, o que preocupa. 

“A queda do CUT se dá em um contexto de queda do PIB e do emprego, sendo determinada sobretudo pela forte depreciação do real, resultado da fuga de capitais de países emergentes, como o Brasil”, analisa a CNI.

O CUT é um dos principais determinantes da competitividade de um país e representa o custo em dólar com o trabalho para a produção de uma unidade de produto. É calculado a partir dos resultados da produtividade no trabalho, do salário médio real pago aos trabalhadores e da taxa de câmbio.

Por Redação

Via CNI

Editor MDR

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