Coronavírus antecipa a quarta revolução industrial

 Coronavírus antecipa a quarta revolução industrial

Venda de impressoras 3D cresce mesmo na crise; equipamentos fabricam milhares de itens de proteção individual.

A pandemia causada pela Covid-19 colocou diversos países numa corrida contra o tempo para a aquisição de respiradores mecânicos, ventiladores pulmonares, máscaras, viseiras e uma infinidade de itens utilizados em hospitais e unidades de pronto atendimento.

A demora em comprar e receber os equipamentos importados – atrelados aos custos de frete e à burocracia aduaneira – despertou ainda mais a criatividade nos brasileiros. Em pouco tempo, várias iniciativas surgiram com o uso das impressoras 3D para fabricar acessórios médicos de um jeito rápido, eficiente e com baixo custo.

“Vivemos uma nova revolução. Essas máquinas estão produzindo óculos, suportes, protetores faciais, válvulas para bombas de oxigênio, acessórios que evitam contatos com maçanetas, previnem a contaminação e inúmeras outras soluções que ajudam médicos e enfermeiros a se proteger enquanto atendem os pacientes”, explica Thiago Peixoto, diretor administrador da Boa Impressão 3D, que tem sede em Curitiba-PR.

Crescimento de vendas
A companhia festeja os bons resultados e viu seu faturamento de março crescer 56% em sobre o mesmo período de 2019.

Só a Tron Ensino de Robótica Educativa, que fica em Teresina-PI, adquiriu 20 máquinas e 600 quilos de filamentos para confeccionar 1500 protetores faciais, respiradores e outros itens que foram doados para a Secretaria de Saúde no combate à Covid-19.

Tamanha procura fez com que a Boa Impressão antecipasse a chegada da Stella 3 Lite, a versão ampliada da máquina que já teve mais de 1800 unidades comercializadas em território nacional.

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Origens e popularização
As primeiras formas da impressão tridimensional no País surgiram em 1984. De lá para cá muita coisa mudou. Com avanços na tecnologia, novos tipos, preços mais acessíveis e aplicações mais interessantes.

O mercado nacional registra crescimento anual de 24,1%. Já a pesquisa mais recente do Fórum Econômico Mundial relata que 41% das companhias em todo mundo devem adotar o uso da impressora 3D até 2022. No Brasil esse percentual chega a 49%.

Utilização
Os setores que mais devem investir em impressão 3D no mundo são aeroespacial, de logística e transportes (61%), química e biotecnologia (58%), óleo e gás (57%), energia (54%), saúde (53%) e mineração (50%).

Na saúde, a impressão revolucionou não apenas os produtos usados na medicina e na odontologia – como próteses e órteses – mas também mudou a forma como os procedimentos são realizados. Já é possível simular cirurgias ortopédicas e imprimir órgãos, pele, artérias e ossos.

A professora do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Maria Elizete Kunkel, conheceu uma dessas máquinas na Alemanha, enquanto fazia seu doutorado em biomecânica, na Universidade de Ulm. Ao retornar ao Brasil, decidiu criar um projeto para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

“Ele foi batizado de Mão3D e consiste em fazer e doar próteses personalizadas de membro superior para crianças de todo país”, explica. São vários modelos com as imagens do Batman, Homem-Aranha, Mulher Maravilha e outros personagens que trazem mais alegria e autoestima.

“O tempo médio de confecção de uma dessas próteses varia de 1 a 30 dias. Já o custo com filamentos, entre R$ 200 a R$ 800. Mas o ganho em qualidade de vida e autoconfiança, não tem preço”, conclui.

Como funcionam
De maneira bem simples, o processo de impressão 3D consiste na adição de diversas camadas, uma sobreposta à outra.

Um componente aquece e puxa uma espécie de filamento plástico que fica enrolado em um carretel, como se fosse um rolo de barbante. Conforme o mecanismo derrete o material, ele o deposita em uma base e permite a criação de objetos físicos com grande precisão – ordenadas de acordo com a programação de um software de computador.

O que pode ser feito num 3D

Quase tudo o que a imaginação permitir – desde brindes para eventos, miniaturas, maquetes, brincos, protótipos, brinquedos educativos, ferramentas, acessórios para celular, consoles de videogames, vasos para decoração, móveis para residências – pode ser feito numa impressora 3D.

“A revolução de hoje é marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas. As pessoas estão descobrindo como uma impressora 3D é versátil, acessível e eficiente nesse momento de quarentena. Ela também se tornou uma importante aliada àqueles que buscam ampliar a renda, tirando novos projetos do papel”, observa Peixoto.

Abaixo, uma relação estendida de possibilidades que podem ser confeccionadas com uma impressora 3D:

Vídeo games = consoles, acessórios, peças, case para jogos, mini volantes, teclas, controle universal.

Música = palhetas, instrumentos completos, apoio para pendurá-los, amplificadores.

Gastronomia = amassador de alhos, separador de ovos, cubo de medidas para variadas receitas, batedeira manual, escorredor de louças, modeladores para biscoitos.

Informática e smartphone = protetores de cabos USB, apoio para notebooks, capas, suportes.

Moda = brincos, cintos, anel, colar, vestido.

Jardinagem = vasos, regadores, ferramentas.

Pets = potes de comida anti-formiga, escova para pelos, coleiras e guias, cadeira de rodas para animais deficientes.

Em alguns países as impressoras 3D já confeccionaram bicicletas de nylon, carros, casas, prédios, castelos, roupas, bolsas, perucas, próteses, tatuagens e muito mais.

A Boa Impressão 3D começou suas atividades em Curitiba há cinco anos e promove uma nova forma de aproximar a tecnologia à sociedade.

Mais do que comercializar impressoras 3D, filamentos e acessórios, a empresa realiza cursos e workshops para mostrar os conceitos iniciais para modelar objetos e utilizar a ciência em benefício das pessoas.

Para quem é totalmente leigo no assunto, a empresa faz treinamento completo para utilizar o equipamento, oferece assistência técnica e suporte online para o uso da impressora 3D, que ganha cada vez mais utilidade nos dias atuais.

Por Redação

Via INFORCHANNEL

Editor MDR

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