Construção puxa demanda e Aço Brasil revê estimativas para o ano

 Construção puxa demanda e Aço Brasil revê estimativas para o ano

Consumo aparente deve cair 4,7% em 2020, ante uma estimativa anterior de recuo de 14,4%

Mello Lopes, do Aço Brasil, afirma que aços longos puxaram a retomada e consumo deve ser semelhante ao de 2019 — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

O segmento de aços longos vem garantindo a recuperação do setor siderúrgico brasileiro neste ano. Segundo estimativas do Instituto Aço Brasil (IABR), o consumo aparente de longos deverá ser semelhante ao apurado em 2019. Já em planos, a estimativa de queda de 18% em julho passou para recuo de 8%. No total, a nova expectativa para consumo aparente é de 19,99 milhões de tonelada, queda de 4,7%.

O presidente executivo do IABR, Marco Polo de Mello Lopes, disse que a revisão nas expectativas do setor foram feitas em razão da forte recuperação do mercado, principalmente da construção civil. “Esses cálculos são feitos em função da percepção dos executivos. No setor de planos a estimativa de queda era de 18%, agora o consumo deve cair 8% Já longos acreditamos que será semelhante ao apurado no ano passado. É o pulso do mercado”, disse Mello Lopes.

Atualmente, três setores da economia representam mais de 80% do consumo aparente de aço: construção civil representa 37,6%, bens de capital outros 20,5% e indústria automotiva consome 24,1% do aço no país.

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O Aço Brasil também refez a estimativa de produção de aço bruto para este ano. Em julho, a entidade previa um recuo de 13,4%, com a produção de 28,22 milhões de toneladas. Agora, o IABR espera uma queda de 6,4%. Pelos dados devem ser produzidos 30,49 milhões de toneladas. Segundo Mello Lopes, as siderúrgicas voltaram a operar na mesma velocidade de janeiro de 2020, chegando a utilizar 63% da capacidade instalada, de cerca de 52 milhões de toneladas.

“Nesse momento, todas as sinterizações estão funcionando das três que estavam paradas em função da crise. Além disso, dos 13 altos-fornos que foram desligados, somente seis ainda estão parados, mesmo assim, dois deles estão na usina de Cubatão (SP) que foram paralisados há mais tempo.”

Em abril e maio, no ápice da crise, as siderúrgicas tiveram que adequar a produção à demanda. Além dos 13 altos-fornos e as três sinterizações, sete laminações e três aciarias foram paralisadas. Com isso, as empresas utilizavam somente 42% da capacidade instalada no país. “Estimamos que devemos utilizar entre 70% e 75% da capacidade entre o fim deste ano e o início de 2021”, disse o dirigente.

Com essa retomada, a estimativa atual de vendas internas é de queda de 3,1%, para 18,3 milhões de toneladas. A expectativa anterior era de recuo de 12,1%. Já as exportações devem apresentar um declínio de 10,7%, chegando a 11,44 milhões de toneladas. Anteriormente, a estimativa era de queda de 14,4%. Nas importações, o recuo deverá ser de 23,1% para 1,81 milhão de toneladas, antes a expectativa era de 34,8%.

Essa recuperação do setor tem proporcionado também recuperação dos preços da tonelada do aço no país. Segundo o presidente do conselho do Aço Brasil e executivo da Gerdau, Marcos Faraco, os reajustes implementados nos últimos meses pelas siderúrgicas aconteceram para tentar igualar os valores do importado.

“O aço importado ainda chega mais caro do que o que se pratica no Brasil. Mesmo com os reajustes praticados, ainda continuamos no mesmo patamar de preços que tínhamos em meados de 2019”, afirmou Faraco.

Por Valor Econômico

Via Insituto Aço Brasil

Editor MDR

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