Com alta do dólar, CSN enxerga novo aumento nos preços do aço

 Com alta do dólar, CSN enxerga novo aumento nos preços do aço

A empresa acredita que há espaço para novo reajuste em abril ou maio

O diretor executivo da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Luis Fernando Barbosa Martinez, disse nesta quinta-feira, durante teleconferência com analistas, que com a alta cambial deste ano, há espaço para novo reajuste de preços do aço em abril ou maio. Segundo ele, o prêmio ainda está negativo em relação ao produto importado.

“Haverá um reajuste de mais de 10% para todo o tipo de produto, isso é recuperação de margens. Com o dólar nesse patamar e, acreditamos que o valor de R$ 4,60 veio para ficar, haverá aumento de custos”, disse o executivo.

A CSN já reajustou os preços para distribuidores em 10% em janeiro e fevereiro e no último dia 2 realizou novo aumento. Em galvanizados, a companhia reajustou em 7% e para folhas metálicas outros 7,5%. “Não tem como não fazer, é questão de custo. E as cadeias produtivas devem repassar esse reajuste para a ponta”, afirmou o executivo.

Para as montadoras os aumentos, que são anuais, foram de 5%. “Mas, temos que reaver esse reajuste. Com o dólar nesse patamar os custos estão aumentando e o prêmio frente ao importado está negativo”, ressaltou o executivo.

Na composição da receita da companhia, segundo Martinez, de 22% a 23% vem de montadoras e autopeças e outros 13% do setor industrial. “Temos que recuperar margens nesses setores”, afirmou o executivo.

Quanto à mineração, o diretor da área Enéias Diniz, disse que a companhia espera produzir 40 milhões de toneladas este ano, mesmo com as chuvas que acometeram Minas Gerais no final de 2019 e no início deste ano. “Estamos preparados para atingir esse volume. Os investimentos no beneficiamento a seco foram concluídos e temos capacidade para operarmos em capacidade máxima”, afirmou. No ano passado, a CSN produziu 38,5 milhões de toneladas, alta de 11% no comparativo ao mesmo período de 2018. A receita com a área foi de R$ 10 bilhões ao final do ano.

Esforço para diminuir dívida


Martinez disse que o esforço da companhia é para diminuir a dívida líquida este ano. A meta, segundo ele, é chegar a R$ 20 bilhões. Em 2019, a CSN fechou com uma dívida líquida de R$ 27,1 bilhões. “A desalavancagem não será somente com a venda da SWT, na Alemanha. Vamos usar todas as fontes para chegar a um nível de endividadamento sustentável da companhia o mais rápido possível”, disse.

Segundo ele, a CSN também trabalha em paralelo com contratos de vendas antecipada de minério de ferro (streaming) e negocia a venda de 12% da CSN Mineração para um parceiro estratégico. “Estamos trabalhando em paralelo até o IPO [oferta pública inicial de ações] da mineração. São todas alternativas rápidas para se chegar ao nível de dívida confortável”, afirmou o executivo.

Segundo ele, a venda da SWT está demorando mais do que a companhia esperava. Martinez acrescentou que a CSN colocou esse ativo à venda em 2018. “Melhor que oferta firme, temos um comprador interessado local, grande produtor de aços longos. Ele teve dificuldades em conseguir contratar seguros e linhas de financiamento, mas agora já está resolvido e voltamos a negociar. Mas, é importante que se diga que a proposta chegue a um nível ideal para a companhia. Não há um contrato de compra firmado. Pode ser que não aconteça”, disse o executivo.

Por Ana Paula Machado

Valor Econômico — São Paulo

Editor MDR

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