China simplifica importação de minério mesmo em tensão comercial

 China simplifica importação de minério mesmo em tensão comercial

A partir de junho, a administração aduaneira da China vai examinar as importações de minério de ferro quando solicitado pelo operador ou importador.

A China simplificou as regras de inspeção para importações de minério de ferro em meio ao debate sobre se o comércio de US$ 43 bilhões com a Austrália será afetado pelas crescentes tensões entre os dois países.

Embora o Global Times – tabloide controlado pelo principal jornal do Partido Comunista – tenha dito que a simplificação das regras seja para facilitar o comércio, a publicação destacou que a decisão acontece em um “delicado” momento na relação entre Austrália e China, depois que o governo australiano pediu uma investigação sobre as origens da pandemia de coronavírus.

A partir de junho, a administração aduaneira da China vai examinar as importações de minério de ferro quando solicitado pelo operador ou importador.

O sistema atual exige que todas as cargas sejam inspecionadas. Alguns dos maiores produtores e o governo australiano aprovaram a mudança.

Mas traders e analistas na Ásia disseram que a medida está em andamento há algum tempo e deve ter impacto insignificante no mercado de minério de ferro.

As commodities entraram no radar da disputa em meio à deterioração das relações. O governo de Pequim impôs tarifas antidumping à cevada australiana neste mês, suspendeu as importações de carne de quatro frigoríficos e está de olho em mais produtos.

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As medidas levaram à especulação de que o minério de ferro – a exportação mais valiosa da Austrália – poderia estar na linha de fogo, mas qualquer restrição aos embarques corre risco de afetar a grande indústria siderúrgica da China.

“À primeira vista, é uma simplificação dos processos existentes. Embora o anúncio chegue em um momento delicado”, disse Hui Heng Tan, analista da Marex Spectron.

“No entanto, com fracas margens das usinas, baixo estoque de minério de ferro nos portos e usinas, alta dependência de importações e possíveis problemas de suprimento no Brasil, seriamente não acho que isso restringiria as importações da Austrália, porque pagariam o preço.”

A China importa mais de 60% do minério de ferro da Austrália e encontraria obstáculos para conseguir o mesmo volume de outras fontes.

As exportações brasileiras estão limitadas pelo mau tempo e pelo surto de coronavírus no país, que aumenta o risco de que as operações possam ser reduzidas.

Ao mesmo tempo, a China tem produzido grandes quantidades de aço, e as expectativas do mercado são de que estímulos à infraestrutura serão apresentados nos planos do país para impulsionar o crescimento econômico neste ano.

Mineradoras

A Rio Tinto não quis comentar a mudança nos procedimentos de importação de minério de ferro. A BHP disse que apoia as mudanças, que criarão uma cadeia de suprimentos mais eficiente e com potencial para acelerar o processo para todas as partes.

Elizabeth Gaines, diretora-presidente da Fortescue Metals, afirmou que a empresa comemora a mudança, que faz parte de um conjunto mais amplo de reformas de eficiência que o governo da China implementa desde 2015.

“Se esses são compromissos para agilizar o processamento de embarques de minério de ferro que chegam aos portos da China, então, no geral, é uma reforma bem-vinda”, disse o ministro do Comércio da Austrália, Simon Birmingham, na quinta-feira.

“As primeiras indicações ao conversar com o setor são de que isso poderia proporcionar uma oportunidade de benefícios tanto para a China quanto para a Austrália na redução dos custos administrativos dos embarques.”

Birmingham também disse que seu pedido para conversar com o ministro de Comércio chinês para tentar resolver disputas comerciais recentes ainda não foi respondido.

Por Bloomberg

Via MoneyTimes

Editor MDR

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